Ainda desde Osaka, fomos conhecer mais uma cidade próxima, Kyoto. Cidade que assume a sua importância na cena mundial por ter dado nome ao inútil Tratado de Kyoto. Que não seria inútil caso os maiores poluidores mundiais o tivessem ratificado. No que toca à história japonesa, Kyoto livrou-se dos raides aéreos da 2ª Guerra graças a ser um centro de incalculáveis tesouros históricos, entre diversos templos, pagodes, jardins e locais muitos deles considerados Património da Humanidade pela UNESCO.
O Kinkakuji, ou Pavilhão Dourado, o Castelo Nijo, o Palácio Imperial ou o pagode de Fushimi Inari são algumas da atracções principais. Mas dessas não vimos nenhuma. Cá entre nós, já foi uma sorte termos conseguido visitar o Ginkakuji, ou o Pavilhão Prateado, termos passeado pelas galerias principais do bairro de Gijon e termos visto o Pagode Yasaka, onde decorre um dos principais festivais do Japão.
Isto porque o tempo resolveu desabar no dia em que decidimos ir a Kyoto. Era o próprio dia de maior intensidade da tempestade tropical Songda e, de facto, a chuvinha era muita e tornava o turismo algo complicado.
Mas exequível. O templo de Ginkakuji serviu de vila de férias a alguns shoguns japoneses, que mandaram construir este poiso à semelhança do Pavilhão Dourado. Yoshimasa passou aqui a sua reforma e, sendo obcecado com as artes, foi entre estes jardins e estas paisagens que se desenvolveram importantes pontos da cultura japonesa, como as cerimónias do chá, o teatro noh, os rebuscados arranjos de flores e a arquitectura dos jardins japoneses. A cultura Higashiyama, que emanou precisamente deste espaço, tornou-se influente em todo o país.
Vários shots do jardim japonês do Pavilhão Prateado. Em baixo, as carpas têm um ar demoníaco, sim.
Hoje, é constituído pelo Pavilhão Prateado, alguns templos para oração e sublimes jardins japoneses, assim como um interessante jardim zen com uma representação do Monte Fuji e das ondas do mar, chamado O Jardim do Mar de Prata. Ao contrário do que se possa pensar, o título "prateado" do templo vem não de ser feito de prata mas por causa do brilho que o luar reflecte nos lagos e em toda a construção. Bonito, não? E ainda mais bonito é passear por estes jardins, observando a Natureza e os hábitos dos japoneses que cá vieram desfrutar daquele dia de Domingo. Entre elas, as japonesas a quem pedi uma foto, lindas nos seus trajes típicos.
Pelos caminhos de Ginkakuji. Os namorados no seu traje típico. Caminhos no meio do templo. Panorâmica com o jardim zen ao fundo. As simpáticas japonesas a quem pedi uma foto.
Depois de um reconfortante almoço numa pizzaria de Kyoto, que não me importava nada de trasladar aqui para o Porto, fomos para Gion na esperança vã de ver gueixas. É o bairro de gueixas mais famoso do Japão mas acredito que estas tenham medo da chuva pois na rua nem vê-las. Dada a nossa condição de budget travellers, não pensámos sequer em ir a uma ochaya (casa de chá) onde uma maiko (aprendiz de gueixa) ou mesmo uma geiko (no dialecto de Kyoto para gueixa) nos poderiam entreter.
Entrámos ainda no Yasaka Shrine, também conhecido como o Gion Shrine. A assinalar o facto de ser aqui que muitos dos casais japoneses vêm pedir para que a sua relação continue firme. Lá tocámos ao sino e fizemos dois ou três daqueles rituais que uns bons milhares de apaixonados já devem ter feito ao longo da existência daquele templo.
O templo dedicado aos namorados e ao amor eterno. Em último, um dos altares onde se deixam oferendas e se pede paixão correspondida para todo o sempre...
Muito mais ficou por ver em Kyoto, uma vez que o tempo não esteve do lado dos viajantes nesse dia. Mas lembrar-me-ei sempre daqueles tranquilos jardins com tantos tons de verdes quantos se consiga imaginar e da simpatia extrema do senhor do posto turístico da estação de comboios, que nos indicou os melhores sítios para ver, dadas as condições atmosféricas e no fim, em jeito de brincadeira, nos fez perguntas para ver se tínhamos percebido bem o que ele tinha dito. Um velhinho fofo que apetecia trazer connosco para todo o lado.
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