Há quem se entretenha com séries e xadrez para descansar a mona de trabalho e estudos. Eu tenho outros guilty pleasures. E admiti-los é tão vergonhoso que nem sei bem porque o faço. Eu, que deveria, em virtude da investigação, do Doutoramento e coisa e tal, falar aqui apenas de obras e de entretenimento altamente alternativo, confesso os meus três pecados:
1- Reality-shows. Deus seja louvado pela maratona do Jersey Shore na MTV este fim de semana: nunca a humanidade chegou tão baixo quanto aqueles rapazes e raparigas nas suas férias em Florença. E, não tão mau mas igualmente vergonhoso, confesso que aguardo Domingo inteiro que chegue a hora da Teresa Guilherme falar com a Cátia e com a Fanny no confessionário. E depois há muitos mais: The Celebrity Apprentice, do qual já vi todas as séries, o próprio The Apprentice, mas não com tanta piada (nada tira a emoção de ver a Joan Rivers a quase dar na cara da Annie Duke). Há os de culinária, que também os como a todos: Masterchef (australiano e português), Hell's Kitchen (quantas vezes comento que se lá estivesse mandava o chef Ramsey meter o esturjão num sítio que eu cá sei) e os Pesadelos de Ramsey (nunca mais volto a comer em restaurantes que não se veja claramente a cozinha). O Cops, claro, um clássico. As dez séries do Biggest Loser americano (o português é incrivelmente lento, chato, sem ritmo nenhum...) e, em geral, todos os que envolvem transformações: While you were out, Extreme Makeover (é engraçado ver o Ty a envelhecer de série em série mas a continuar a pensar que tem 20 e poucos anos), o Style by Jury (é incrível a necessidade dos americanos que lhes digam como e o que vestir) e muitas, muitas saudades do The Swan e do Momento da Verdade. Tudo começou em criança quando a minha mãe dava por mim, nos intervalos da leitura da Gramática da Língua Portuguesa, dos clássicos novecentistas e dos últimos volumes da História de Portugal do Mattoso, especado em frente à televisão a pasmar para o Perdoa-me. Que saudades.
2- Filmes de catástrofes. Furacões, tufões e tornados. Tremores de terra, sismos e tsunamis. Invasões extra-terrestres, micróbios assassinos, pragas de insectos e aracnídeos. Nada como um Domingo à tarde a ver Nova Iorque ficar coberta de gelo, Los Angeles a ser arrasado pelos ventos nunca vistos e os americanos, como sempre, a salvarem o mundo da hecatombe. O argumento é sempre o mesmo mas é sempre uma surpresa, também, verificar que fica tudo muito bem no fim embora tenham morrido milhões de pessoas, que levaram com carros na cabeça em plena Manhattan ou definharam dias a fio com febres altíssimas. Entre eles, os preferidos são aqueles já depois do apocalipse, como A Estrada ou O Livro de Eli (para quem ainda não viu este filme, um mega hiper spoiler: o livro é a Bíblia).
3- Stephen King. Sim, o homem é um mestre e não é propriamente um guilty pleasure. Mas não impressiona dizer que leio aqueles romances policiais de terror e vejo os filmes daí decorrentes como quem vê o Sol nascer. Gosto muito. O meu preferido é Misery, não podendo também deixar de mencionar o clássico The Shining. O homem sabe prender a atenção desde a capa à contra-capa e ok que pode não ser propriamente boa literatura mas é ver-me em viagem, de Stephen King debaixo do braço, a nem dar pelas horas de espera no aeroporto ou pelas imensas travessias de comboio. Enquanto existires, Stephen, eu não passo secas de certeza.
Agora com licença que daqui a nada começa o especial fim-de-semana da Casa dos Segredos e a opção é entre ir ver as bonitas figuras daquela rapaziada ou abrir o Umberto Eco e começar a pensar em coisas a sério. É que está mesmo visto quem vai ganhar, não está?
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